Você está em: home » biografia » auto-retrato  
AUTO RETRATO


Nasci Carlos Eduardo Lyra Barbosa, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Filho de José Domingos Barbosa, Oficial de Marinha e Helena Lyra Barbosa.

Tenho dois irmãos, Sérgio Henrique Lyra Barbosa, hoje oficial de marinha e Maria Helena Lyra Barbosa, orientadora de ensino e artista plástica.

Herdei de meu avô paterno, Domingos Barbosa, laureado pela Academia Maranhense de Letras, o gosto pela literatura, de meus avós maternos a vocação para a música. Meu pai extremamente musical dançava como ninguém e tocava flauta, enquanto minha mãe, tocava violino.

Desde criança apaixonei-me pelo cinema e ainda mais pelos musicais. Minha Tia Carolina executava Debussy ao piano todas as vezes que o menino de 6 anos pedia, e eram muitas. Mas foi meu Tio Edgar que imprimiu em mim o desejo de tocar violão.

Desde pequeno tocava em meu piano de brinquedo e em uma harmônica de boca, mas foi quando servi ao exército, ao quebrar a perna vencendo um campeonato de salto em distância que, imobilizado, fui contemplado por minha mãe com um violão e aproveitei as aulas de meu vizinho, Garoto (Aníbal Augusto Sardinha).

Estudei nos Colégios São Bento, Santo Inácio, Colégio Militar e por fim Mallet Soares onde fui colega de Roberto Menescal, Luis Carlos Vinhas e Carlos Eduardo Dollabela. Meu irmão, no Mello e Souza, era colega de Nara Leão.

Foi nessa época que uma de minhas primeiras canções, “Menina”, chamou a atenção de Roberto Menescal a quem eu ensinava violão. Numa aula de francês compus Maria Ninguém. Logo depois Sylvia Telles gravava seu primeiro compacto com minha música “Menina” de um lado e “Foi a noite” de Tom Jobim do outro. Foi assim que, através de João Gilberto, os dois lados do disco se conheceram.

E nessa época, de 1956 em diante, as inúmeras reuniões e encontros no Bar do Plaza, na casa de Bené Nunes e também na de Nara Leão, foram aproximando os então jovens talentos da época. Surgiram as primeiras parcerias da Bossa Nova: Eu com Ronaldo Bôscoli e Tom Jobim com Vinícius de Moraes consagradas no primeiro LP de João Gilberto e de Bossa Nova chamado Chega de Saudade, em 1959.

Muitos parceiros foram surgindo, e minha vida enriquecendo com a amizade e os versos de Vinícius de Moraes. Os discos dos compositores foram sendo lançados e a Bossa Nova foi exportada para o exterior em um Concerto no Carnegie Hall em Nova Iorque.

Fui um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, conheci Cartola, Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e João do Vale e aproximei a música do morro e a música rural da música da classe média mostrando a Nara as inúmeras canções destes compositores, que havia gravado enquanto nos reuníamos e tocávamos em minha casa.

Vi o Teatro do CPC da UNE, que havíamos construído com o dinheiro arrecadado da venda do disco da UNE, O POVO CANTA ser completamente destruído e queimado e com ele, muitos dos meus sonhos também se foram. Com o golpe de 64, me auto-exilei. Primeiro nos Estados Unidos onde encontrei Astrud Gilberto, Tony Bennet com quem gravei, João Donato, Stan Getz, Tom Jobim, Norman Gimbel e muitos outros que tentavam sobreviver por lá. Excursionei com Stan Getz pelo mundo e quando cheguei ao México, em 66 não quis mais sair de lá. Como poderia deixar um país onde as mulheres contratam Mariachis para fazer serenata na porta da casa do homem amado?

Assim, seduzido pelo romantismo, fixei residência, conheci Gabriel Garcia Marques, José Luiz Ibañes, Otavio Paz, David Alfaro Siqueros, Juan Orozco, Juan Rulfo, Carlos Fuentes e Luiz Buñuel. Montei vários espetáculos, gravei dois discos e conheci Katherine Lee Riedel com quem me casei na Cidade do México, em 1969.

Retornei ao Brasil em 1971. Tempos depois nasceu minha filha Kay. Dentro do regime militar, tive muitas músicas censuradas e por último um disco inteiro. Não agüentei a pressão e segui para Los Angeles em meu segundo auto-exílio, agora com a família, em 1974, onde ao mesmo tempo que John Lennon fiz a Terapia do Grito Primal e aproveitei o tempo vago para cursar a Escola de Astrologia Sideral, o que me levou a escrever dois livros sobre o assunto..

Retornei ao Brasil em 1976, continuei compondo com novos parceiros como Paulo César Pinheiro, Heitor Valente, Daltony Nóbrega e Millôr Fernandes entre outros. Fixei residência em Ipanema onde a Bossa Nova floresceu e de onde nunca pretendo sair.

Buscar Músicas